Li Bai, um poeta chinês do século VIII, foi considerado o maior poeta romântico da dinastia Tang. Esta dinastia fora uma dinastia de prosperidade, que moldara a mente aberta deste poeta, bem como o seu estilo de escrita elegante.
No século VIII, os poetas chineses descreviam frequentemente cenários para representar e expressar emoções e sentimentos. Existe ainda um provérbio chinês baseado nesta estratégia tradicional: “Qualquer cenário pode ser traduzido em sensação”. Por exemplo, na Primavera, as margens do Rio Amarelo – no texto traduzido como River Kiang – ficam repletas de fores. A beleza da natureza ajudou Li Bai a expressar a sua tristeza.
Ezra Pound, tradutor dos poemas de Li Bai, foi poeta, músico e crítico. Grande adepto do imagismo, inspirou-se nas imagens e metáforas do Oriente. Existem três tipos de poesia defendidos por Pound: a fanopeia (imagens),a melopeia (musicalidade) e a logopeia (jogo de palavras). Em 1915, Pound publicou Cathay, uma compilação de traduções de poemas chineses, muitos destes do século VIII, baseando-se nas notas de Fenollas. No contexto da Primeira Guerra Mundial, Pound utilizou alguns poemas para fazer ouvir a voz dos que ficaram para trás, como por exemplo o poema “The River-Merchant’s Wife: A Letter”, em que o marido do sujeito poético está ausente durante um longo período de tempo. De acordo com ABC of Reading, escrito por Pound, os ideogramas representam “pictures of things”, que pode explicar a frequência do uso de fanopoeias nas traduções. Muitas vezes os caracteres representam uma palavra e Pound vai para além do significado descrito no dicionário. Cabe a Pound contar/descrever uma história, muitas vezes com filtragens culturais para a necessidade de compreensão e a presença de exotismos.
Em ambos os poemas “The River-Merchant’s Wife: A Letter” e “Separation On the River Kiang”, temos a descrição de imagens que ajudam o leitor a compreender os sentimentos implícitos nos poemas. Ambos expressam saudade e tristeza.
Em “The River-Merchant’s Wife: A Letter”, temos a história de uma jovem esposa e do seu marido que está ausente. Podemos sentir o culminar desta saudade nos versos 28 e 29: “And I will come out to meet you/ As far as Cho-fu-Sa.”, pois o sujeito poético encontra-se disposto a percorrer longas distâncias para matar esta saudade.
Em “Separation On the River Kiang”, temos o sujeito poético que observa a partida de Ko-jin pelo rio fora. “The long Kiang” é o maior rio da China, e este adjectivo “long” pode destinar-se também à longa ausência de Ko-jin na vida do sujeito poético: “And now I see only the river,”.
Chenxi Xia
Filipa Martins
Stephanie Sousa
quarta-feira, 29 de março de 2017
terça-feira, 28 de março de 2017
Sugestão de tradução e reflexão para 6 de Abril
Traduzir um de dois poemas de Gary Snyder: "Cross-Legg'd" ou "Sourdough Mountain Lookout".
Colocar tradução no blogue e, caso haja tempo, comentar em relação à cedência a tendências deformantes segundo Antoine Berman.
Colocar tradução no blogue e, caso haja tempo, comentar em relação à cedência a tendências deformantes segundo Antoine Berman.
Fernando Pessoa on the Translation of Poe's poems
A poem is an intellectualised impression, or an idea made emotion,
communicated to others by means of a rhythm. This rhythm is double in
one, like the concave and convex aspects of the same arc: it is made up
of a verbal or musical rhythm and of a visual or image rhythm, which
concurs inwardly with it. The translation of a poem should therefore
conform absolutely to the idea or emotion which constitutes the poem, to
the verbal rhythm in which that idea or emotion is expressed; it should
conform relatively to the inner or visual rhythm, keeping to the images
themselves when it can, but keeping always to the type of image.
It was on this criterion that I based my translations into Portuguese of Poe’s “Annabel Lee” and “Ulalume”, which I translated, not because of their great intrinsic worth, but because they were a standing challenge to translators.
It was on this criterion that I based my translations into Portuguese of Poe’s “Annabel Lee” and “Ulalume”, which I translated, not because of their great intrinsic worth, but because they were a standing challenge to translators.
1923?
Páginas de Estética e de Teoria Literárias.
Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf
Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966.
- 74.
- 74.
(1st draft of the translation of "Ulalume", c. 1911)
segunda-feira, 27 de março de 2017
Modelo de análise de texto para tradução
O poema “The Buffalo” foi
publicado em 1934, a década de mais vibrante fulgor poético de Marianne Moore,
que então realizou diversas experiências com a forma modernista da sequência
poética. Assim, “The Buffalo” surge na revista Poetry a par com “Nine Nectarines”, dentro da sequência com o
título algo eufónico “Imperious Ox, Imperial Dish”, que tematiza um jogo de
forças entre a soberania do visceral e primitivo e a imposição de uma tradição
cultural hierarquizada e discriminatória. O título “The Buffalo” é, desde logo,
carregado de associações, seja porque o relacionamos com outros poemas de Moore
glosando o colonialismo e a expansão territorial americana, seja por
pressentirmos que nesta poética um animal é sempre medido por “noções humanas”,
conforme se torna explícito na quarta estrofe: “some would say the
sparse-haired / buffalo has met / human notions best.” Os versos são a súmula
de uma comparação entre o búfalo e outras espécies bovinas (ou de mamíferos
possantes, como é o caso, na quinta estrofe, do elefante), em que este sai
favorecido devido às suas qualidades de liberdade free neck”) e genuinidade
(afim das classes pobres, ele é domado pelos jovens de penras nuas). Não podem
com o búfalo rivalizar os outros bois, que não só foram reduzidos em porte
devido à domesticação (caso das vacas leiteiras pardas-suíças ou da raça
Holstein, de vacas malhadas holandesas) como de alguma forma acabaram por
perder a dignidade selvagem quando se tornaram objecto de representação,
conforme se trasmite por exemplo com o advérbio disfórico na alusão ao desenho
de Thomas Rowlandson retratando um “boi de atropelo” (Overdrove Ox).
Porém, A comparação entre o búfalo e a espécie do bisonte confunde
de alguma forma as expectativas de leitura. Ao ler a primeira estrofe
podemos ser levados a tomar o bisonte como sinónimo do “búfalo” do título, o
que nos transporta quer para o território americano quer para as conotações que
a negritude assume numa terra que se supõe ser livre das hierarquias
aristocráticas – daí que se possa interpretar ironicamente a procura de
significado da representação quer do negro na heráldica, quer dos cornos pretos
do bisonte, juntamente com a alusão a vários graus mais ou menso indistintos de
negro (sendo que as palavras “black” e “niger”, mais conotativas do que
denotativas, colocam problemas à tradução). Na sexta estrofe, contudo, o búfalo
«de excepção» é claramente identificado com o “Indian Buffalo”, e a referência
à preferência do Buda por este animal leva-nos a transportá-lo de uma
associação com os nativos americanos (também chamados “Indians” à altura em que
Moore escrevia) para uma ligação aos habitantes da Índia, isto é, ao
búfalo-asiático. Na verdade, uma carta da autora revela que era este mesmo que
tinha em mente (water buffalo) e,
segundo a sua biógrafa e crítica Linda Leavell, o poema terá sido igualmente
informado pelos projetos de eugenia nazi e pelo conhecimento de que haveria a
aspiração de tornar a reproduzir artificialmente os extintos auroques (Leavell,
286-7)
O poema “The
Buffalo”, pois, não só questiona a atribuição de significado às cores de certas
raças (invertendo inclusive as normais assunções, «white / Christian heathen»)
como, na interpretação de Leavell, propõe uma reflexão sobre a evolução natural
das espécies por contraste com os cruzamentos para apuração de animais
domésticos ou com a aniquilação conertada de certas raças. Segundo esta
leitura, a estrofe final do poema, embora reafirme a dignidade natural do
búfalo-asiático terá um fundo irónico: «need not fear comparison / with bison».
Repare-se que esta análise levanta vários problemas para a
tradução, desde o nível do léxico especializado da espécie biológica em causa
(dificuldade generalizada no tocante à obra de Moore), passando pela indentificação
das fontes de écfrase, até à resolução da ambiguidade de uma palavra como
Indian (que talvez melhor se resolva por um sinónimo arcaico mais genérico:
Búfalo das Índias). A estes acresce a dificuldade de lidar com a prosódia de
Marianne Moore – ou «cadência», conforme a própria refere num poema de
homenagem a Pound, e que é um nome adequado já que a marca distintiva da
estrofe modernista da poeta passa por libertar as rimas de uma posição
constante na estrofe, e pela opção de associações consonânticas e assonânticas
que parecem cascatear pelo poema, tal como o desenho dos versos. Assim, por
exemplo, em
(…) Might
hematite-
black, compactly incurved horns on bison,
have significance? The
soot brown tail-tuft on
a kind of lion-
tail (…)
temos uma assonância próxima
(might / hematite), uma rima masculina, embora espaçada, em “bison” e “lion”, e
uma rima interna imperfeita entre “incurved” e “tuft”. Se o reconhecimento
destes ecos não padrozinados já será difícil, ainda mais o é a sua reprodução,
que só pode ser tentada por efeitos compensatórios (abertura de vogais
semelhantes em palavras diferentes, por exemplo). A cadência de Moore é ainda
replicada entre estrofes pelo efeito de suspensão que alcança ao dividir
palavras compostas (lion-//tail) e que parecem intrínsecos ao propósito de
chamar a atenção tanto para o objecto como para a sua descrição verbal, mas que
dificilmente se podem manter numa língua como o português em que a formação por
composição não é tão produtiva e obedece a regras diferentes.
quinta-feira, 16 de março de 2017
Homework (II) for March 30 - Ezra Pound
- Read Pound's essay "How to Read" (especially part II, p. 127-129) and answer and comment on the extent to which his theory of the "kinds of poetry" - melopoeia, phanopoeia, logopoeia - relates with translation.
- Select your favorite poem from Cathay (p. 110-122), explain why you prefer it, and then try to identify in it examples and processes ovf "melopoeia", "phanopoeia" and "logopoeia".
- Select your favorite poem from Cathay (p. 110-122), explain why you prefer it, and then try to identify in it examples and processes ovf "melopoeia", "phanopoeia" and "logopoeia".
Homework for March 30 (I), text analysis for April 6
1. Comment on the blog: we shall discuss your comments / draft analysis on the 30th March
2. Write up your final text analysis by April 6 (no more than two pages, font size 12, 1,5 spaces)
3. Here is your text: the version of 1935 of the poem "Poetry" by Marianne Moore: https://studio.edx.org/asset-v1:HarvardX+AmPoX.6+2T2016+type@asset+block/Moore-Poetry.pdf
2. Write up your final text analysis by April 6 (no more than two pages, font size 12, 1,5 spaces)
3. Here is your text: the version of 1935 of the poem "Poetry" by Marianne Moore: https://studio.edx.org/asset-v1:HarvardX+AmPoX.6+2T2016+type@asset+block/Moore-Poetry.pdf
Subscrever:
Mensagens (Atom)




