quarta-feira, 5 de abril de 2017

Bibliografia Anotada

 What does an annotated bibliography look like?

An annotated bibliography starts with the bibliographic details of a source (the citation) followed by a brief annotation.
As with a normal reference list or bibliography, an annotated bibliography is usually arranged alphabetically according to the author’s last name. An annotated bibliography summary for each entry should not be more than 80 words. Summary should inlude an evaluation (why the work is useful) and/or an explanation of value (relevance of the citation for the research paper) (

Purpose of an annotated bibliography

Depending on your specific assignment, an annotated bibliography might:
  • review the literature of a particular subject;
  • demonstrate the quality and depth of reading that you are processing;
  • exemplify the scope of sources available—such as journals, books, web sites and magazine articles;
  • highlight sources that may be of interest to other readers and researchers;
  • explore and organise sources for further research.

Questions to Consider 

  1. What topic/ problem am I investigating?
  2. What question(s) am I exploring? Identify the aim of your literature research.
  3. What kind of material am I looking at and why? Am I looking for journal articles, reports, policies or primary historical data?
  4. Am I being judicious in my selection of texts? Does each text relate to my research topic and assignment requirements?
  5. What are the essential or key texts on my topic? Am I finding them? Are the sources valuable or often referred to in other texts?
Sample entry for annotated bibliography

Zinman, Toby Silverman. “‘In the presence of mine enemies’: Adrienne Kennedy’s An Evening with Dead Essex.’’ Studies in American Drama, 1945-Present 6 (1991): 3-13. 
Zinman analyzes the play in terms of “presence” and absence” of the characters, but as he says, not in as complex a manner as they are used to in the theories of Lacan, Saussure, and Derrida. He contends that the real subject of the play is absent (Essex) and that Kennedy has not found “a satisfying way to present absence on stage” in this play (12).  The article was interesting, but I’m still not sure what a satisfactory absence would be. 
Mitchell, Jason. “PMLA Letter.” 1991. 23 May 1996. 
<http:10/28/2008/sunset.backbone.olemiss.edu/-jmitchel/plma.htm>

Mitchell protests the “pretentious gibberish” of modern literary critics in his letter to PMLA. He argues that “Eurojive” is often produced by English professors to show that their status is equal to that of math and science faculty. His sense of humor makes this letter a great read. 

Trabalho Final - Orientações

Até 27 de Abril devem decidir o exercício de escrita final, enviando um email antecipadamente com o tópico / texto(s) escolhido(s) e o tipo de ensaio, para thelongverse@gmail.com .

Como somos muitos, as apresentações orais terão início na segunda metade da aula de 11 de Maio, segundo o calendário em baixo. No dia da apresentação oral cada aluno(a) terá de apresentar um máx de 2 páginas com um plano do trabalho e uma bibliografia anotada. O plano deve incluir o argumento do trabalho ou as principais estratégias / problemas segundo o tipo de tradução, bem como pelo menos três (sub)tópicos com referência a exemplos e/ou fontes. A bibliografia anotada explica-se num post aparte.

Preocupações formais
Formatação: Letter type 12, double spaced
Citações, referências bibliografia: see teacher's guidelines sent by email
Max. extensão: 2000 palavvras excluindo bibliografia para alunos de Tradução Literária; 4000 palavras, excluindo bibliografia, para alunos de Estudos Ingleses. 



Trabalho preferencial para alunos de Estudos Ingleses - Trabalho Comparativo


Eis o melhor link que encontrei para ajudar na escrita deste ensaio:



E alguns conselhos.

Focar-se num máximo de 2-3 tópicos bem circunscritos para comparação / contraste, para poderem aplicar técnicas de análise textual, análise do discurso e leitura atenta, para além da comparação do contexto cultural das obras que estão a investigar.



Para metodologia de escrita será preferível o método de comparação alternada.

Trabalho preferencial para alunos de Tradução Literária - Tradução comentada


A tradução comentada deve incluir, além da tradução uma contextualização do autor e uma breve análise do estilo da obra, com vista a problemas tradutórios, tratando, finalmente, das principais estratégias tradutórias para resolução desses problemas.
O texto a traduzir (bem como os textos a comparar) deve estar dentro do período modernista ou ser relacionável com este. Não tem de ser um poema, podendo ser um pequeno ensaio sobre poética. 




Tendências Deformantes de Antoine Berman


Em seu texto “A Tradução e a Letra ou a Pousada do Longínquo”, Antoine Berman critica as traduções etnocêntricas e hipertextuais e afirma que traduzir é fazer um trabalho sobre a letra com uma “atenção voltada aos jogos de significados”. Para ele, fazer uma tradução etnocêntrica é recusar inserir na cultura de chegada a estranheza do “outro”. Ao tentar fazer com que o leitor, ao ler o texto traduzido, tenha a impressão de que esse texto foi escrito originalmente na língua de chegada, o tradutor está modificando o texto original. É nesse contexto que se insere a analítica da tradução em que Berman pretende “examinar de um modo breve o sistema de deformação dos textos – da letra – que ocorre em todas as traduções, impedindo-as de atingir o seu verdadeiro desígnio”. No caso das traduções etnocêntricas e hipertextuais, esse sistema de deformação é exercido de maneira livre, pois essa deformação é apoiada pelo sistema cultural e literário. Mas a verdade é que qualquer tradutor está sujeito a essas tendências que distanciam a tradução do seu desígnio puro, pois esse sistema de deformação é largamente inconsciente. As treze tendências deformantes apontadas por Berman inserem-se nesse exame feito pela analítica da tradução. Elas destroem a letra do original, procurando respeitar exclusivamente o “sentido” e a “bela forma”.
            Apresentaremos a seguir algumas das treze tendências deformantes observadas nas possíveis traduções do poema “Separation On the River Kiang”, traduzido do chinês para o inglês por Ezra Pound.

Separation On the River Kiang

Ko-Jin goes west from Ko-kaku-ro,
The smoke-flowers are blurred over the river.
His lone sail blots the far sky.
And now I see only the river,
          The long Kiang, reaching heaven. 

Separação do Rio Kiang

Ko-jin afasta-se para oeste de Ko-kaku-ro
As flores-fumaças difusas sobre o rio.
Sua vela solitária mancha o céu distante.
E agora só vejo o rio,
            O grande Kiang, tocando o céu.

            Em relação aos termos “Ko-jin”, “Ko-kaku-ro” e “River Kiang”, se o tradutor optar por traduzir esses termos por equivalentes em língua portuguesa, há a ocorrência da tendência deformante do apagamento das superposições de línguas. Na tradução por “o velho amigo”, “a Torre da Garça Amarela” e “o Rio Amarelo”, ocorre o apagamento da relação de tensão e integração entre a língua portuguesa e chinesa. A tradução torna-se etnocêntrica, não deixando aparecer no poema a língua do outro.
            Na versão de tradução do poema apresentada acima, as expressões “lone sail” e “far sky” foram traduzidas por “vela solitária” e “céu distante”. Na grande maioria das traduções de substantivos e adjetivos do inglês para o português, a ordem dos termos é alterada, pois em português é mais “comum” colocar o adjetivo após o substantivo. A questão que queremos colocar aqui é que essa mudança na ordem não deve ser feita de maneira automática e inconsciente, pois pode levar à tendência deformante da racionalização em que se recompõe as frases em busca de uma certa ideia de ordem sintática. Dessa forma, o tradutor também deve considerar a possibilidade de traduzir “far sky” por “distante céu” e observar quais significados essa ordem “não comum” evoca.
            Ambos os termos “sky” e “heaven” foram traduzidos por “céu” em português. Nesse caso, podemos observar a tendência do empobrecimento quantitativo: há uma perda lexical no poema traduzido, pois a multiplicidade de significantes não foi respeitada. Os dois termos em inglês possuem significados que se relacionam, mas não são exatamente iguais. A palavra “heaven” poderia ter sido traduzida por “paraíso”, mas essa última palavra possui uma conotação religiosa muito forte em língua portuguesa e poderia inserir no poema outros significados que não aparecem no texto original, como por exemplo a ideia de que Ko-jin morreu e foi ao paraíso. Nesse caso, o tradutor optou pelo uso da sinonímia como estratégia de tradução, mas isso também fez com que ocorresse a tendência deformante.
            Para concluir, as perdas em tradução são inevitáveis, no entanto, saber identificar as tendências deformantes é importante para melhorar a qualidade das traduções, uma vez que isto nos permite respeitar as idiossincrasias do autor, mantendo na tradução as marcas do texto, através da mudança de estratégia sempre que necessário. Além disso, as tendências deformantes nos permitem desenvolver um senso crítico, evitando-nos cair nas “armadilhas” as quais estamos sujeitos no ramo da Tradução.

Rhandra T. Lopes 
Tatiane Rocha




















quarta-feira, 29 de março de 2017

Li Bai, um poeta chinês do século VIII, foi considerado o maior poeta romântico da dinastia Tang. Esta dinastia fora uma dinastia de prosperidade, que moldara a mente aberta deste poeta, bem como o seu estilo de escrita elegante.
No século VIII, os poetas chineses descreviam frequentemente cenários para representar e expressar emoções e sentimentos. Existe ainda um provérbio chinês baseado nesta estratégia tradicional: “Qualquer cenário pode ser traduzido em sensação”. Por exemplo, na Primavera, as margens do Rio Amarelo – no texto traduzido como River Kiang – ficam repletas de fores. A beleza da natureza ajudou Li Bai a expressar a sua tristeza.
Ezra Pound, tradutor dos poemas de Li Bai, foi poeta, músico e crítico. Grande adepto do imagismo, inspirou-se nas imagens e metáforas do Oriente. Existem três tipos de poesia defendidos por Pound: a fanopeia (imagens),a melopeia (musicalidade) e a logopeia (jogo de palavras). Em 1915, Pound publicou Cathay, uma compilação de traduções de poemas chineses, muitos destes do século VIII, baseando-se nas notas de Fenollas. No contexto da Primeira Guerra Mundial, Pound utilizou alguns poemas para fazer ouvir a voz dos que ficaram para trás, como por exemplo o poema “The River-Merchant’s Wife: A Letter”, em que o marido do sujeito poético está ausente durante um longo período de tempo. De acordo com ABC of Reading, escrito por Pound, os ideogramas representam “pictures of things”, que pode explicar a frequência do uso de fanopoeias nas traduções. Muitas vezes os caracteres representam uma palavra e Pound vai para além do significado descrito no dicionário. Cabe a Pound contar/descrever uma história, muitas vezes com filtragens culturais para a necessidade de compreensão e a presença de exotismos.
Em ambos os poemas “The River-Merchant’s Wife: A Letter” e “Separation On the River Kiang”, temos a descrição de imagens que ajudam o leitor a compreender os sentimentos implícitos nos poemas. Ambos expressam saudade e tristeza.
Em “The River-Merchant’s Wife: A Letter”, temos a história de uma jovem esposa e do seu marido que está ausente. Podemos sentir o culminar desta saudade nos versos 28 e 29: “And I will come out to meet you/ As far as Cho-fu-Sa.”, pois o sujeito poético encontra-se disposto a percorrer longas distâncias para matar esta saudade.
Em “Separation On the River Kiang”, temos o sujeito poético que observa a partida de Ko-jin pelo rio fora. “The long Kiang” é o maior rio da China, e este adjectivo “long” pode destinar-se também à longa ausência de Ko-jin na vida do sujeito poético: “And now I see only the river,”.


Chenxi Xia
Filipa Martins
Stephanie Sousa

terça-feira, 28 de março de 2017

Sugestão de tradução e reflexão para 6 de Abril

Traduzir um de dois poemas de Gary Snyder: "Cross-Legg'd" ou "Sourdough Mountain Lookout".

Colocar tradução no blogue e, caso haja tempo, comentar em relação à cedência a tendências deformantes segundo Antoine Berman.


Fernando Pessoa on the Translation of Poe's poems

A poem is an intellectualised impression, or an idea made emotion, communicated to others by means of a rhythm. This rhythm is double in one, like the concave and convex aspects of the same arc: it is made up of a verbal or musical rhythm and of a visual or image rhythm, which concurs inwardly with it. The translation of a poem should therefore conform absolutely to the idea or emotion which constitutes the poem, to the verbal rhythm in which that idea or emotion is expressed; it should conform relatively to the inner or visual rhythm, keeping to the images themselves when it can, but keeping always to the type of image.
It was on this criterion that I based my translations into Portuguese of Poe’s “Annabel Lee” and “Ulalume”, which I translated, not because of their great intrinsic worth, but because they were a standing challenge to translators.
1923?
Páginas de Estética e de Teoria Literárias. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966.
 - 74.
(1st draft of the translation of "Ulalume", c. 1911)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Modelo de análise de texto para tradução

O poema “The Buffalo” foi publicado em 1934, a década de mais vibrante fulgor poético de Marianne Moore, que então realizou diversas experiências com a forma modernista da sequência poética. Assim, “The Buffalo” surge na revista Poetry a par com “Nine Nectarines”, dentro da sequência com o título algo eufónico “Imperious Ox, Imperial Dish”, que tematiza um jogo de forças entre a soberania do visceral e primitivo e a imposição de uma tradição cultural hierarquizada e discriminatória. O título “The Buffalo” é, desde logo, carregado de associações, seja porque o relacionamos com outros poemas de Moore glosando o colonialismo e a expansão territorial americana, seja por pressentirmos que nesta poética um animal é sempre medido por “noções humanas”, conforme se torna explícito na quarta estrofe: “some would say the sparse-haired / buffalo has met / human notions best.” Os versos são a súmula de uma comparação entre o búfalo e outras espécies bovinas (ou de mamíferos possantes, como é o caso, na quinta estrofe, do elefante), em que este sai favorecido devido às suas qualidades de liberdade free neck”) e genuinidade (afim das classes pobres, ele é domado pelos jovens de penras nuas). Não podem com o búfalo rivalizar os outros bois, que não só foram reduzidos em porte devido à domesticação (caso das vacas leiteiras pardas-suíças ou da raça Holstein, de vacas malhadas holandesas) como de alguma forma acabaram por perder a dignidade selvagem quando se tornaram objecto de representação, conforme se trasmite por exemplo com o advérbio disfórico na alusão ao desenho de Thomas Rowlandson retratando um “boi de atropelo” (Overdrove Ox).
            Porém, A comparação entre o búfalo e a espécie do bisonte confunde de alguma forma as expectativas de leitura. Ao ler a primeira estrofe podemos ser levados a tomar o bisonte como sinónimo do “búfalo” do título, o que nos transporta quer para o território americano quer para as conotações que a negritude assume numa terra que se supõe ser livre das hierarquias aristocráticas – daí que se possa interpretar ironicamente a procura de significado da representação quer do negro na heráldica, quer dos cornos pretos do bisonte, juntamente com a alusão a vários graus mais ou menso indistintos de negro (sendo que as palavras “black” e “niger”, mais conotativas do que denotativas, colocam problemas à tradução). Na sexta estrofe, contudo, o búfalo «de excepção» é claramente identificado com o “Indian Buffalo”, e a referência à preferência do Buda por este animal leva-nos a transportá-lo de uma associação com os nativos americanos (também chamados “Indians” à altura em que Moore escrevia) para uma ligação aos habitantes da Índia, isto é, ao búfalo-asiático. Na verdade, uma carta da autora revela que era este mesmo que tinha em mente (water buffalo) e, segundo a sua biógrafa e crítica Linda Leavell, o poema terá sido igualmente informado pelos projetos de eugenia nazi e pelo conhecimento de que haveria a aspiração de tornar a reproduzir artificialmente os extintos auroques (Leavell, 286-7)
            O poema “The Buffalo”, pois, não só questiona a atribuição de significado às cores de certas raças (invertendo inclusive as normais assunções, «white / Christian heathen») como, na interpretação de Leavell, propõe uma reflexão sobre a evolução natural das espécies por contraste com os cruzamentos para apuração de animais domésticos ou com a aniquilação conertada de certas raças. Segundo esta leitura, a estrofe final do poema, embora reafirme a dignidade natural do búfalo-asiático terá um fundo irónico: «need not fear comparison / with bison».
       Repare-se que esta análise levanta vários problemas para a tradução, desde o nível do léxico especializado da espécie biológica em causa (dificuldade generalizada no tocante à obra de Moore), passando pela indentificação das fontes de écfrase, até à resolução da ambiguidade de uma palavra como Indian (que talvez melhor se resolva por um sinónimo arcaico mais genérico: Búfalo das Índias). A estes acresce a dificuldade de lidar com a prosódia de Marianne Moore – ou «cadência», conforme a própria refere num poema de homenagem a Pound, e que é um nome adequado já que a marca distintiva da estrofe modernista da poeta passa por libertar as rimas de uma posição constante na estrofe, e pela opção de associações consonânticas e assonânticas que parecem cascatear pelo poema, tal como o desenho dos versos. Assim, por exemplo, em
                                    (…) Might
     hematite-
       black, compactly incurved horns on bison,
            have significance? The
soot brown tail-tuft on
       a kind of lion-

tail (…)


temos uma assonância próxima (might / hematite), uma rima masculina, embora espaçada, em “bison” e “lion”, e uma rima interna imperfeita entre “incurved” e “tuft”. Se o reconhecimento destes ecos não padrozinados já será difícil, ainda mais o é a sua reprodução, que só pode ser tentada por efeitos compensatórios (abertura de vogais semelhantes em palavras diferentes, por exemplo). A cadência de Moore é ainda replicada entre estrofes pelo efeito de suspensão que alcança ao dividir palavras compostas (lion-//tail) e que parecem intrínsecos ao propósito de chamar a atenção tanto para o objecto como para a sua descrição verbal, mas que dificilmente se podem manter numa língua como o português em que a formação por composição não é tão produtiva e obedece a regras diferentes.