domingo, 12 de março de 2017

Normas de Tradução (Gideon Toury) e Tipologia de Problemas Tradutórios (do projeto PEnPAL)


- Norma inicial: adequação ou aceitabilidade


- Normas preliminares
- política de tradução (que textos se traduzem, para quê e para quem)
- tradução directa ou indirecta (uso de textos intermédios)


- Normas operatórias
-normas matriciais (distribuição do material textual, trad. parcial ou não, mudanças de segmentação)
- normas linguístico-textuais (selecção de material textual, compensações, como se processa a recodificação)


16 de Março: estratégias de tradução aplicadas

A proposta de trabalho ao longo da semana para a aula de 16 de Março é a de tentar compreender a categorização de estratégias de tradução de Andrew Chesterman - p. 89-94 (atenção que a p. 91 está trocada com a p. 92) e procurar exemplos de textos (de preferência trabalhados em aula) cujas propostas de tradução se apliquem a algumas das estratégias indicadas.
Desafio para quem quiser desenferrujar o francês: procurar encontrar exemplos das estratégias nas traduções de Marianne Moore das Fábulas de La Fontaine (o melhor será escolher um dos poemas das p. 97-104 e comparar com a sua tradução).


sexta-feira, 10 de março de 2017


When I translate one of your poems and I come across words I do not understand, I always guess at their meanings. I am inevitably right. A really perfect poem (no one yet has written one) could be perfectly translated by a person who did not know one word of the language it was written in. A really perfect poem has an infinitely small vocabulary.
It is very difficult. We want to transfer the immediate object, the immediate emotion to the poem - and yet the immediate always has hundreds of its own words clinging to it, short-lived and tenacious as barnacles. And it is wrong to scrape them off and substitute others. 
(...)

Words are what sticks to the real. We use them to push the real, to drag the real into the poem. They are what we hold on with, nothing else. They are as valuable in themselves as rope with nothing to be tied to.
I repeat - the perfect poem has an infinitely small vocabulary. 
(extract from Jack Spicer's correspondence with Garcia Lorca in After Lorca, 1957)




sábado, 4 de março de 2017

Hart Crane e o metro em Nova Iorque

In a station of the Metro

The apparition of these faces in the crowd;
Petals on a wet, black bough.
Ezra Pound, 1913



Biografia de Hart Crane
1899 – nasce em Garretsville, Ohio, numa família burguesa (pai comerciante de chocolates)

1908 – mãe sofre colpaso nervoso e muda-se para casa da avó em Cleveland

1916 – muda-se para Nova Iorque, na esperança de entrar na Univ. de Columbia
familiariza-se com as obras de Baudelaire, Arthur Rimbaud, William Butler Yeats e James Joyce
trabalha a vender publicidade para uma revista literária, Little Review
liga-se também à revista literária Seven Arts – de N. Hawthorne a Robert Frost

1917 – pais divorciam-se e a mãe decide ir viver com o filho. Crane procura alistar-se no exército, mas rejeitam-no por ser menor. Parte então para Cleveland e vai trabalhar para uma fábrica de munições.

1921 – rompe com o pai, que o critica de estar sempre debaixo das saias da mãe. Vai outra vez para NY

1923- de novo em NY, acaba por sair para Woodstock

1921-1926 – love affair with Emil Opffer, marinheiro mercante dinamarquês, poema “Voyages

1929 – morre o pai e Crane usa herança para viajar pela Euroa

1930 – The Bridge, 60 páginas, 5 secções, 15 poemas líricos, contraponto a Wasteland sob influência de william Carlos Williams

“American epic couched in primarily subjective, associative units” (322)
Crane called it “an epic of the modern consciousness” (88)


1931-32: viagem ao México e suicídio.

9 de Março: Leituras de Daniel Katz (p. 63-70), Gideon Toury (71-84), Hart Crane (85-87))

Comment on one or both of the following questions / Comentar sobre uma ou ambas as questões seguintes

1. Que questões levanta o texto de Daniel Katz (excertos de introdução e primeiro capítulo de American Modernism's Expatriate Scene) sobre uma das linhas condutoras deste Seminário: Estados Unidos e Tradução?
What questions are raised by Daniel Katz's  text in respect to one of the driving topics of this Seminar: US and Translation?

2. Em que medida é que aquilo que leram (quer no texto de Katz quer no de G. Toury) coincide ou interfere com o célebre postulado de Gideon Toury: "as traduções são factos da cultura de chegada"?
To what extend do the issues discussed, both in Katz's and G. Toury's text, agree with or challenge the famous dictum by Gideon Toury: "translations are facts of the target culture"?

3. Concentrando-se na parte do poema "The Tunnel" (por sua vez uma das partes do poema longo The Bridge de Hart Crane) que se inicia "Whose head is swinging from the swollen strap?" e termina "Did you deny the ticket, Poe?" (p. 86), pensem quais seriam os principais problemas de tradução e como os enquadrariam dentro das normas enunciadas por Gideon Toury.
Focussing on the excerpt of "The Tunnel" (itself a part of the longer poem The Bridge by H. Crane) starting with Whose head is swinging from the swollen strap?" and ending "Did you deny the ticket, Poe?" (p. 86), determine which would be the main translation problems and how could they be surmised under Gideon Toury's norms.

Optional: If you want you may present a translation into Portuguese of the above-mentioned excerpt by Hart Crane. Also, note that this is a poem full of references but a visit to this site might help:  http://sites.jmu.edu/thebridge/category/the-tunnel/

quarta-feira, 1 de março de 2017

T S. Eliot e a teoria do "correlativo objetivo"

Objective correlative

T.S. Eliot used this phrase to describe “a set of objects, a situation, a chain of events which shall be the formula of that particular emotion” that the poet feels and hopes to evoke in the reader (“Hamlet,” 1919). There must be a positive connection between the emotion the poet is trying to express and the object, image, or situation in the poem that helps to convey that emotion to the reader. Eliot thus determined that Shakespeare’s play Hamlet was an “artistic failure” because Hamlet’s intense emotions overwhelmed the author’s attempts to express them through an objective correlative. In other words, Eliot felt that Shakespeare was unable to provoke the audience to feel as Prince Hamlet did through images, actions, and characters, and instead only inadequately described his emotional state through the play’s dialogue. Eliot’s theory of the objective correlative is closely related to the Imagist movement.



Trabalho, rascunho

                                        Contextualização
T.S. Eliot redigiu os Quatro Quartetos entre 1935 e 1942. Tal incidiu com diversas ocorrências: o decorrer da Segunda Guerra Mundial, a conversão do próprio à Igreja Ânglica, e a sua naturalização enquanto cidadão britânico. Os poemas revelam a obra de um Autor crente e amadurecido, o qual se encontra perante um mundo destruído pela guerra instaurada, negligente face ao passado (Primeira Guerra Mundial / The Waste Land), transmitindo um tema predominante: o conflito entre a mortalidade de cada um e a expansão da existência humana. Cada quarteto foca um espaço particular e significante na história da humanidade – é a partir daqui que Eliot proporá várias ideias acerca da espiritualidade. O último poema do quarteto a ser escrito (em homenagem a um Mosteiro Anglicano do Século XVII) – “Little Gidding” –, celebra a habilidade da visão humana em transcender as limitações da mortalidade. A guerra e o sofrimento providenciaram a Eliot a oportunidade para uma reflexão espiritual, a qual transcende eventos externos (Guerras Mundiais) e o peso da história – é neste sentido que este poema e os Quatro Quartetos, como um todo, oferecem uma sensação de esperança. Assim, a poesia presente nestes poemas pode sofrer com a inerente falta de precisão da linguagem, mas proporciona à faculdade estética a oportunidade de ignorar as limitações humanas, mesmo que seja apenas por um momento.

                                  Estrutura do poema
 ‘’Little Gidding’’ é um poema longo composta na sua maior parte por versos livres, estrutura característica dos escritores modernistas que se afastam do dogmatismo poético existente. A linguagem utilizada aproxima-se da linguagem falada no quotidiano. No entanto, o poema inicia-se com versos simples de rima emparelhada e no final da primeira parte do poema com um verso que segue a rima de Dante.
   T.S. Elliot enfatiza o “speech” em prol da estrutura, segundo o autor um poema deve conter diferentes matérias que combinadas definem o próprio poema. Por outro lado, a melodia e o sentido, da mensagem devem cooperar entre si, dando assim um novo sentido à poética, transformando a poesia num meio de consciencialização social. Contrariamente a Allan poe, na medida em que este defende a impossibilidade de escrever poemas longos, pois um poema deve ser curto e os versos devem seguir a mesma estrutura.

                                         Tradução
Rima emparelhada


Ash on an old man's sleeve
Is all the ash the burnt roses leave. 
Dust in the air suspended
Marks the place where a story ended.
Dust inbreathed was a house- 
The walls, the wainscot and the mouse, 
The death of hope and despair,
This is the death of air.

Cinza na manga de um ancião
È toda a cinza que deixam as rosas queimadas.
A poeira suspensa no ar
Marca o lugar onde uma história acabou.
A poeira respirada era uma casa-
A parede, o lambril e o rato.
A morte da esperança e do desespero,
Isto é a morte do ar.


Terza rima

In the uncertain hour before the morning
Near the ending of interminable night
At the recurrent end of unending
 Na hora incerta que antecede a manhã
Ao chegar o termo da noite interminável
No fim recorrente do que não acaba

Tanto num como noutro houve perda tanto da estrutura como da melodia existente no original. Assim a tradução da poesia traduz-se numa transcriação do próprio texto.

Conclusão:
Little Gidding traduz uma nova forma de poética, onde diferentes partes do texto são deliberadamente menos poéticos que outros, com diferentes variações de intensidade envolvendo assim o leitor em uma nova forma de leitura poética.